segunda-feira, 3 de setembro de 2012



O passo do hipopotamozinho – caiu e não levanta mais

Tenho oscilado entre gargalhadas e pasmo ao verificar, em minhas leituras diárias e obrigatórias do que vai pela mídia, a patética decomposição senil do cérebro de um senhor que, um dia, arrogou-se “decano dos blogs”.
Fixado obsessivamente em seu ódio encruado e curtido sol à sol por Alair Corrêa, desesperado pela realidade dos fatos, que emprestam ao seu favorito uma intenção de votos medíocre nas pesquisas e diariamente sofrendo o vexame de ver seus escritos - que outrora já tiveram algum crédito - serem vergonhosamente desmentidos por todos os lados, arrasta-se o rubicundo em trajetória errante, cega, onde nem mais piadas cínicas e debochadas produzem sequer desbotado sorriso.
Amparado por sua claque de um ou dois blogueiros recém saídos da puberdade, que creem-se filósofos e - pasmem! - marxistas!, nosso pobre cetáceo vive hoje seu ocaso ideológico e de credibilidade, confortado apenas pela inocência de poucos pupilos que mal provaram a vida e ainda o enxergam, ele e seus sofismas, como exemplo a ser seguido. O mundo caminhou, as esquerdas tiveram suas exéquias - bastaria ver o "pragmatismo" das alianças e apoios de seu candidato - mas apenas dormiram e não viram.
Só a senilidade, portanto, conjuraria combinação de postagens tão tristes quanto as que o rubicundo teve a infelicidade de cometer, nas últimas semanas. Uma sequência de “notícias” sobre repetitivos dois ou três fatos – se Alair vai ou não aos debates, quem é coligado ao mesmo e profecias apocalípticas sobre julgamentos no TRE, além de acusar o Ibope de não ser o Ibope – somam-se à copioso desfile de beldades arreganhadas, que emprestam ao seu “respeitável” diário a aparência de calendário de borracheiro.
Como cúmulo, porém, destaca-se o gastar horas preciosas de seu tempo anotando, escrevendo e publicando notícia – que mais aparenta fofoquinha de comadres, tal a bichice do teor – chamando as esposas dos principais personagens da candidatura Alair de "desocupadas", ao serem flagradas em – no seu entender – criminoso ato de tomarem café juntas, à tarde.
Não bastou ao pobre ser desmentido sonoramente pelo Jornal do Brasil (Alair 56%): teve de sofrer ainda a vergonha de explicitar todo o mofo de sua cabeça emperrada e onanista - não só pelas mocinhas das fotos, mas também por repetir-se á farta, citar-se, alisar-se, referir-se á si mesmo. Trata-se, na verdade, de um extraordinário caso de masturbação jornalística e gramatical.
Que o bom e velho tiozinho não mais fique espreitando as senhoras que tomam chá e votam em Alair; elas são casadas, mães de família e tem sim responsabilidades e obrigações, como qualquer mulher de qualquer classe social.
Aconselha-se o banheiro, ao lado de farta provisão de fotografias das senhorinhas. É mais cavalheiresco e, se ninguém ver, não incomoda quem trabalha pois tais raciocínios relativos ás mulheres apenas revelam um arraigado preconceito de classes, panfletário, estudantil, demagógico e - fundamentalmente - deslocado no tempo.

Walter Biancardine