quinta-feira, 8 de março de 2018

EDITORIAL – O que vai acontecer em Cabo Frio?


EDITORIAL – O quê vai acontecer em Cabo Frio?

Vamos resumir de maneira bem clara: pela votação do STF hoje, não há mais nenhuma possibilidade da posse imediata do Dr. Adriano, como segundo colocado no pleito.

Marquinho Mendes ainda será julgado, o que deverá ocorrer em, aproximadamente, 40 dias. Condenado, perde o cargo e novas eleições são convocadas.

Entenda -
Na tarde desta quinta-feira (8), por 10 votos a 1, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou improcedente a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) 5619, que pedia a posse do segundo colocado nas eleições de 2016 para o caso de vacância do cargo, mesmo em cidades com menos de 200 mil eleitores.

Também ficou decidido que as eleições acontecerão depois que os recursos forem negados no TSE, já que foi derrubada a exigência do processo ser transitado em julgado, isto é, sem chance de recursos ao próprio STF - em outras palavras, a embromação jurídica acabou.

Os ministros definiram ainda que as custas da nova eleição vão ficar a cargo do candidato que deu origem a ela - no caso em pauta, Marquinho Mendes.

Caso tenha cassado seu registro de candidatura pelo Tribunal Superior Eleitoral, só então serão convocadas novas eleições, para 90 dias após a data da cassação.

Isso posto, vamos à análise da situação.

Boataria -
Não apenas nas redes sociais mas até em meios de comunicação da cidade existem rumores que Dr. Adriano teria um acordo com Jânio Mendes, inclusive abrigando o vereador Rafael Peçanha como vice. Em entrevista hoje no Programa Sidney Marinho, TV Litoral, o OPINIÃO perguntou ao Dr. Adriano se isso seria fato: a resposta não foi conclusiva e mesmo chegou a sorrir, sem graça, durante sua fala – o que contrastou fortemente com o início do programa, onde fez um convincente discurso adotando a postura de “novo”, de um “outsider” (forasteiro) da política, que inclusive é martelada repetidamente por seus seguidores.

Teremos um “Donald Dória”?
Existe uma inegável decepção com os políticos atuais, no Brasil e no mundo.

Nos Estados Unidos por exemplo, Donald Trump foi eleito explorando justamente o fato de ser uma pessoa alheia à política e seus “acordos sujos”. Cá no Brasil e seguindo seus passos, elegemos João Dória em São Paulo – igualmente vindo da TV e dizendo-se “fora” de todo um esquema, quase contra o dito “establishment”.

Cabo Frio não ficou imune à novidade: temos aqui um misto, “Donald Dória”, encarnado pelo Dr. Adriano e que repete os mesmos discursos de “fora desse esquema sujo” que os citados acima.

O quê isso representa?
Na verdade, dos três citados acima o Dr. Adriano é o único que já foi eleito para algo: foi vereador em Cabo Frio. Nem Dória nem Trump jamais tiveram cargo eletivo público nenhum, e isso já enevoa um pouco sua alegação de “novo” - afinal, como atuar politicamente na Câmara sem misturar-se, sem aceitar como as coisas funcionam?

Este mesmo raciocínio serve para sua eventual eleição à Prefeito: como governar uma cidade sem acordos, sem concessões – e nada disso significa exatamente desonestidade – sem misturar-se e falar a mesma língua que a classe que tanto combate: a dos políticos?

Alianças e outros -
Se for verdade o acordo entre Dr. Adriano e Jânio Mendes, só ficaremos sabendo uma vez ele eleito, e será tarde demais para não nos decepcionarmos – não com acordos em si, mas pelo fato de, até agora, negar que haja este trato. E o “novo” terá começado mal.

Também comenta-se sobre outros candidatos que disputariam o pleito, tais como o próprio Rafael Peçanha, Jânio Mendes, Paulo César, coligados de Marquinho (sua mulher Camila ou outros) e até mesmo Alair Corrêa.

Quanto à Rafael Peçanha, mesmo eleito vereador, começou mentindo: alegava em 2016 que sua ativa participação nas paralisações do SEPE – Lagos não possuía nenhuma intenção eleitoral. E acabou eleito. Na Prefeitura, contra ele pesa esta mentira inicial e sua completa falta de experiência no Executivo – mesmo mal que sofre Jânio Mendes, sempre estridente na tribuna, mas completamente alheio ao administrar de uma cidade.

Já os coligados do atual prefeito contarão com a brutal força financeira da máquina pública, mas é pouco provável que isso seja suficiente para superar a antipatia, falta de carisma ou mesmo a nenhuma identificação com o eleitor, que possuem.

Paulo César, desnecessário falar: ninguém o supera na arte de deixar passar o cavalo selado, que volta e meia desfila à sua frente. Provavelmente, carta fora do baralho.

Alair Corrêa é, sem dúvida, o mais experiente e com uma longa lista de realizações para mostrar, mas sofre com isso: todo e qualquer um que pretenda ser candidato, tem como bordão bater em Alair e “tudo isso que está aí”.

Em seu último mandato, viu a cidade afundar por conta da seca dos royalties e da roubalheira Federal e Estadual, que afundou o Brasil inteiro. Obviamente, saiu bastante impopular e nesta campanha eleitoral extemporânea, é claro, já sofre os ataques da turma do “novo”, que esquecem ter Alair praticamente construído a cidade em que disputam o governo. 

Politicamente sábio, talvez o veterano ex prefeito decida por candidatar-se à ALERJ – afastando-se da imundície certa que serão as próximas eleições do Executivo e poupando-se de um desgaste desnecessário.

Agora resta saber o veredito do julgamento do atual Prefeito. Ele decidirá toda a pauta da cidade nos próximos dois anos.

Aguardemos.

Walter Biancardine